VISITA DE ESTUDO - Porto -Património Mundial
PERCURSO
1-Rua do Cabo Simão (V.N. Gaia) – Nesta subida íngreme que se estende desde a cota baixa do tabuleiro inferior da Ponte D. Luís até ao mosteiro da Serra do Pilar, consegue-se “espreitar” o Porto, através de uma perspectiva muito pouco habitual e conhecida; Momento ideal para tirar umas fotos originais e pouco vistas.
2-Mosteiro da Serra do Pilar (V.N. Gaia) – do terraço deste imponente edifício conseguimos ter uma primeira visão de conjunto de todo o espaço urbano a visitar, bem como identificar “espaços urbanos diferenciados” nesse mesmo percurso. Aproveita-se o momento para “desenhar” o percurso a efectuar.
3-Ponte D. Luís I (tabuleiro superior)- Fonte de inú meras especulações que se prendiam com questões de segurança, este eixo viário assumiu-se com a principal ligação do Norte do País à sua capital. Foi o primeiro marco de verdadeira mobilidade que permitiu “desencravar” o norte do país. Para além disso desencadeou inúmeras mudanças urbanas na margem esquerda do Douro, transformada hoje, numa das mais importantes cidades do país- V.N. de Gaia. Dominada por morfologia urbana desorganizada, atestando um crescimento rápido e espontâneo, foi sofrendo iniciativas de requalificação o que se traduz, hoje, não como um eixo viário vital, mas sim como uma espécie de “boulevard” com primazia à vivência com qualidade de vida- Avenida da República. O Metro, que hoje existe transformou-se no “foco” em torno do qual diversas novas centralidades se desenvolveram (Paços do Concelho; Solar de V. N. Gaia, Galerias de arte, espaços comerciais, …).
Percorrendo a pé a Ponte D.Luís, a cidade vista de cima ganha outros contornos e a sua organização é mais clara … ou não! Oscilando a cabeça entre as duas margens rapidamente constatamos que muito mais é o que as une, do que aquilo que as separa, apesar dos contrastes evidentes a nível da morfologia urbana.
Porto/V.N. Gaia ou cidade PortoGaia?
4-Terreiro da Sé Catedral do Porto – Chegados da outra margem é possível contornar um outro símbolo da cidade. A sua Sé Catedral, mais do que pelo culto, apresenta-se como móbil simbólico e (re) definidor das origens urbanas do Porto. A sua localização mostra-nos o verdadeiro domínio do clero sobre o espaço urbano. A “altitude” como sinónimo de imponência, supremacia e verdadeiro domínio sobre todas as dinâmicas estabelecidas no burgo. Eis o CBD (Central Business District) de outros tempos! Este local no cimo do morro tornou-se o vértice de uma espécie de “favelização legal” que se edificou, não morro acima, mas morro abaixo.
Actualmente a freguesia da Sé aparece associada a conceitos de degradação (espacial, social, …), mas foi sendo pontuada por medidas que não foram mais do que tentativas (algumas conseguidas!) de requalificação.
5-“Ruelas” do Bairro da SÉ- começando a descida encontramos história em cada recanto. Vielas sinuosas de traçado irregular reflectem as épocas do seu crescimento. Ruas tortuosas, becos sem saída, piso irregular, emparedado por granito (grupo rochoso de características geológicas ímpares – Granito do Porto), restos de muralhas que delimitaram o burgo em diferentes épocas, um sem número de características urbanas únicas que conferem a este espaço singularidade notável. Este “mix urbano” (fruto da história) faz-nos viajar quer no tempo, mas sobretudo no espaço.
Se a sua originalidade rapidamente se constata, o que também nos alta aos olhos é a degradação deste mesmo espaço, pontuado aqui e ali por intervenções que procuram, mais do que requalificar este espaço,
6- Ribeira – Com o crescimento do burgo e com a sua expansão comercial deixamos o “espaço encosta” ou morro e vivenciamos agora a verdadeira relação da cidade com o rio. Todo este espaço que se estende por Miragaia, reflecte a importância da relação dos portuenses a cidade comercial. Hoje, espaço de inúmeras requalificações (pontuais) surge um espaço desestruturado, reflectindo, talvez, a inexistência de um Masterplan para toda esta zona. Inúmeros pontos de interesse se podem encontrar em toda esta franja que abraça o rio (Casa do Infante, Praça da Ribeira, Rua da Font ‘Aurina, …).
7- Pilares da Ponte Pênsil e Ponte D. Luís I- Travessia do Douro, inicialmente feita pela ponte suspensa (Ponte Pênsil), foi posteriormente substituída pela Ponte D. Luís I.
Passamos de uma ligação frágil à outra margem a uma dupla ligação futurista e arrojada que redesenhou toda a envolvente, de ambas as margens.
8- Ribeira de Vila Nova de Gaia – Voltamos ao ponto de partida, mas agora com outros olhos. Nesta margem nota-se uma política urbana bem diferenciada, cuidada, moderna e arrojada. Local de ‘movida’ por excelência tornou-se referência de todo o Norte do País. Articulação perfeita (?) entre o antigo e moderno, teve pelo menos o mérito de ser um local atractivo e com vida, durante todos os dias, todas as horas …
O turismo representa a âncora de todo este espaço, mas um turismo acessível a todos, não elitista, mas pluricultural, para ser vivenciado e desfrutado!
9- Cais de Gaia – A jóia de modernidade, a atractividade por excelência. Vencedor em 2006 do melhor empreendimento da categoria de Turismo, este espaço (verdadeira requalificação urbana!?!) atrai e fixa hoje mais visitantes que a “rival” margem oposta. Uma aposta diferente, séria e com uma variedade apetecível consegue mobilizar vivências diversas.
10- Caves do Vinho do Porto (Calém) – A peça que faltava para completar o puzzle. Todas as peças neste espaço parecem encaixar, parecem ter lógica e jogam entre si tendo vida própria e fazendo movimentar outras.
FIM
Temas para reflexão:
· Modelo Urbano Sustentável;
· Soluções urbanas sustentáveis;
· Evolução histórica e urbanismo- (im)compatibilidade(s)?
· Património – móbil para o desenvolvimento?
· Urbanismo/Mobilidade vs Estética Urbana;
· Estética Urbana vs funcionalidade urbana;
ANTÓNIO PINTO, Julho 2008
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6 de agosto de 2008
7 de abril de 2008
A ciência e as fronteiras da vida
No dia 11 de Fevereiro de 2007, foi colocada em referendo aos portugueses a seguinte pergunta:

O debate foi vivo e foram esgrimidos “argumentos científicos” a favor e contra. Mas o que é exactamente um “argumento científico”? Será um argumento científico suficiente para suportar uma tomada de decisão com consequências éticas?
Peter Singer – “Ética Prática”
Ou será que existe? O que nos pode dizer a ciência sobre isto? Qual a validade de algumas fronteiras tradicionais (nascimento, viabilidade extra-uterina, primeiros movimentos, consciência)? Qual o significado científico do limite das 10 semanas? O que torna um argumento “científico”? A “pílula do dia seguinte” é um método abortivo?
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

O debate foi vivo e foram esgrimidos “argumentos científicos” a favor e contra. Mas o que é exactamente um “argumento científico”? Será um argumento científico suficiente para suportar uma tomada de decisão com consequências éticas?
“Poucos problemas éticos são hoje objecto de uma luta tão acesa como o aborto e, embora o pêndulo tenha oscilado para ambos os lados, nenhum deles teve grande êxito em modificar a opinião dos seus oponentes. (…)
O aborto e as experiências destrutivas com embriões levantam questões éticas diferentes porque o desenvolvimento do ser humano é um processo gradual. Se tomarmos um óvulo fertilizado imediatamente após a sua concepção, é difícil ficar perturbado com a sua morte. O óvulo fertilizado é uma única célula. Vários dias depois não passa ainda de um minúsculo aglomerado de células sem nenhuma característica anatómica do ser em que se virá a transformar. As células que virão a formar o embrião são nesta fase indistinguíveis das que irão formar a placenta e o líquido amniótico. Até cerca de 14 dias após a fertilização não se pode sequer saber se o embrião irá dar origem a um ou dois indivíduos (…). Aos 14 dias surge a primeira característica anatómica, a chamada linha primitiva, na posição em que mais tarde se desenvolverá a coluna vertebral. Neste momento, o embrião não pode ter consciência nem sentir dor. No outro extremo situa-se o ser humano adulto. Matar um ser humano é assassínio (…). Contudo, não existe uma linha divisória nítida que separe o ovo fertilizado do adulto.”
Peter Singer – “Ética Prática”
Ou será que existe? O que nos pode dizer a ciência sobre isto? Qual a validade de algumas fronteiras tradicionais (nascimento, viabilidade extra-uterina, primeiros movimentos, consciência)? Qual o significado científico do limite das 10 semanas? O que torna um argumento “científico”? A “pílula do dia seguinte” é um método abortivo?
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